A bordo da Orion, eles já conseguem ver a Terra encolhendo. Os quatro astronautas da Artemis 2 cruzaram a marca simbólica da metade do caminho em sua jornada até a Lua, a mais de 219.000 quilômetros de distância, segundo o rastreamento fornecido pela NASA.
Christina Koch, Victor Glover, Reid Wiseman e o canadense Jeremy Hansen estão vivenciando algo que a humanidade não conhecia desde o fim do programa Apollo: aventurar-se verdadeiramente mais longe, deixando o conforto relativo da órbita terrestre baixa, a bordo da Estação Espacial Internacional (ISS), para retornar à imensidão da escuridão. As imagens fazem o resto: aquela "pequena bola azul" capturada no ar por uma vigia, um sol passando e a sensação muito real de que o espaço não é um vídeo, mas uma aposta.
Orion está em modo de "retorno livre", sem possibilidade de reversão.
Mas essa aposta também depende de um mecanismo implacável. Sua chamada trajetória de "retorno livre" é um cálculo elegante: a Orion é atraída pela Lua e então impulsionada de volta à Terra sem precisar acionar seus motores de forma descontrolada. Elegante, sim, mas exigente, porque, uma vez concluída a injeção translunar, não há botão de "voltar": a espaçonave precisa alcançar o satélite natural da Lua antes de poder retornar. Na cabine, a tripulação relembra sua rotina diária, os sistemas que estão sendo testados, os momentos em que ficaram grudados nas janelas. "Estamos todos vidrados", comentou Jeremy Hansen, enquanto Christina Koch confidenciou que "nada pode nos preparar" para a emoção. Por trás dessas palavras simples, reside uma realidade técnica: este é o primeiro voo tripulado da Orion, e cada hora de operação é crucial.
A NASA planeja sobrevoar o lado oculto da Lua na segunda-feira, antes de retornar à Terra em 10 de abril, sem pouso lunar. Esta missão, a primeira a incluir uma mulher, uma pessoa não branca e um não americano em um voo lunar, visa principalmente validar a espaçonave e a sequência de operações que devem abrir caminho para viagens mais ambiciosas. E, incidentalmente, também serve como um lembrete político: Washington pretende manter sua influência na Lua com um programa caro, minuciosamente analisado e debatido, que coloca os Estados Unidos de volta ao centro da corrida espacial. Se tudo correr bem, a Lua voltará a ser um horizonte operacional, não uma lembrança em preto e branco, e o futuro se desenrolará de acordo com orçamentos, testes e janelas de lançamento futuras.
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