O Ministro das Relações Exteriores de Israel, Gideon Saar, visitou na terça-feira Somaliland, uma visita que provocou uma forte reação por parte do SomáliaEsta viagem ocorre cerca de dez dias depois de Israel ter reconhecido oficialmente este território autoproclamado como um Estado independente e soberano, uma decisão rejeitada por Mogadíscio.
Em uma mensagem publicada na rede X, Gideon Saar indicou que havia se reunido com o presidente da Somalilândia. Abdirahman Mohammed AbdullahNa capital, Hargeisa, ele afirmou que as discussões abrangeram "toda a gama de relações bilaterais". Ele assegurou que Israel estava determinado a fortalecer rapidamente seus laços com a Somalilândia, ilustrando seu ponto com imagens da reunião no palácio presidencial.
A Somália condenou veementemente a visita, classificando-a como uma "interferência inaceitável" e uma "violação grave" de sua soberania. As autoridades somalis ainda consideram a Somalilândia parte integrante de seu território, apesar da separação declarada por Hargeisa em 1991 e da falta de amplo reconhecimento internacional.
Israel é atualmente o único país que reconheceu oficialmente a independência da Somalilândia. De acordo com as autoridades locais, esse reconhecimento poderá ter repercussões positivas para a economia e o desenvolvimento do território. O Ministério das Relações Exteriores da Somalilândia saudou a decisão, que acredita que fortalecerá o investimento e a cooperação internacional.
Durante a visita, Gideon Saar também anunciou que o presidente da Somalilândia havia aceitado um convite do primeiro-ministro israelense. Benjamin Netanyahu para uma visita oficial a Israel. O ministro das Relações Exteriores israelense especificou que ambos os lados pretendem desenvolver sua cooperação em áreas como agricultura, água, saúde e tecnologia.
Esta iniciativa diplomática surge num contexto regional tenso, marcado pela guerra em Gaza e por relações por vezes tensas entre Israel e alguns dos seus parceiros tradicionais. A Somalilândia, situada na entrada do Golfo de Aden, em frente ao Iémen, ocupa uma posição estratégica numa área fundamental para a segurança marítima e regional, um fator que, segundo vários analistas, explica o crescente interesse de Israel neste território.