Desta vez, a Academia Nacional de Medicina não está simplesmente reiterando a recomendação; ela quer torná-la obrigatória: a instituição recomenda a vacinação contra a gripe sazonal para todos os profissionais de saúde. Os resultados são alarmantes: apenas 20% dos profissionais de saúde estão vacinados, apesar das campanhas anuais e das doses gratuitas. Os autores argumentam que "a eficácia das vacinas está bem estabelecida" e apontam para um nível desproporcionalmente baixo de adesão a essa medida preventiva padrão tanto em hospitais quanto em casas de repouso.
No setor de serviços, o vírus não exige carteira profissional.
Nos corredores, a gripe se espalha rapidamente e, às vezes, silenciosamente. Christine Rouzioux, professora de virologia e relatora do texto, lembra que os profissionais de saúde estão "particularmente expostos" e podem transmitir o vírus "involuntariamente", já que a gripe pode ser assintomática. A Academia enfatiza a responsabilidade para com os pacientes vulneráveis — idosos, imunocomprometidos e bebês — e adota uma declaração impactante: "Negar a vacinação aos profissionais de saúde é negar suas responsabilidades médicas". Em última análise, o objetivo é reduzir as infecções hospitalares e evitar que os serviços, já sobrecarregados, operem com equipes reduzidas no pior momento possível do inverno.
O argumento, por sua vez, também é financeiramente sólido. Segundo Christine Rouzioux, a gripe custa entre 1 e 2 bilhões de euros por ano (consultas, hospitalizações, cuidados intensivos, mortalidade, perda de produtividade), enquanto a vacinação de quase 2 milhões de profissionais de saúde representaria um custo de 20 a 30 milhões de euros. A última epidemia deixou marcas, com quase 1,2 milhão de consultas, 115.000 mil atendimentos em pronto-socorro, 24.000 mil hospitalizações e 12.700 mortes. O desafio agora é traduzir esse relatório em lei: a lei de financiamento da Previdência Social prevê essa possibilidade, sujeita a um parecer da Alta Autoridade de Saúde, esperado para o início do verão, e é nesse ponto que a aceitação pública, equilibrando as liberdades individuais com o imperativo da proteção, será determinada nos próximos meses.
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