O governo anunciou na quarta-feira, 17 de janeiro de 2025, que estava abandonando o plano de tornar o brevet (diploma do ensino fundamental II) um requisito obrigatório para o ingresso no segundo ano do ensino médio. Essa decisão segue a revogação do plano de eliminar 4.000 vagas de professores no sistema nacional de educação, marcando uma mudança na política educacional para o início do ano letivo de 2025.
Durante uma reunião com os sindicatos, o Ministro da Educação, Elizabeth BorneEla explicou que a reintrodução desses cargos visa reduzir as desigualdades entre alunos e diferentes regiões. "Isso reflete nosso compromisso em aprimorar o apoio e elevar o desempenho dos alunos", enfatizou. Para o ensino fundamental II, serão feitos esforços adicionais para fortalecer o ensino de disciplinas fundamentais, principalmente francês e matemática, a partir do ano letivo de 2025.
Em relação ao brevet (diploma do ensino secundário inferior), Elisabeth Borne confirmou que a sua obtenção deixará de ser um requisito para ingressar no segundo ano do ensino secundário. Esta medida, planeada pelo governo anterior como parte da iniciativa "confronto de saberes" defendida por Gabriel AttalIsso gerou forte oposição. No entanto, o ministro anunciou um reforço dos requisitos para o exame de certificação, com maior ênfase nas provas finais.
Outra medida mantida dentro dessa estrutura são os "grupos de habilidade" no 6º e 5º ano, renomeados como "grupos baseados em necessidades", concebidos para personalizar o ensino de acordo com o nível dos alunos. No entanto, alguns sindicatos, como o Snes-FSU, expressaram ceticismo quanto à sua eficácia educacional.
Além disso, Elisabeth Borne decidiu não estender esses grupos para o 8º e 9º ano, como planejado inicialmente, mas pretende fortalecer os sistemas de apoio, principalmente por meio de programas de "Auxílio com a Lição de Casa" e de sucesso acadêmico. As "turmas preparatórias para o 10º ano", criadas para alunos sem diploma do ensino fundamental, serão mantidas no ano letivo de 2025-2026 para que seu impacto seja avaliado.
Em termos de recursos humanos, o ministério anunciou a criação líquida de 324 vagas no ensino secundário, apesar do declínio demográfico. No entanto, no ensino fundamental, 470 vagas serão eliminadas devido à diminuição do número de alunos.
Uma retrospectiva do debate sobre as férias de verão.
Durante seus discursos, Elisabeth Borne também abordou a questão das férias de verão. Embora tenha confirmado que a duração das férias de 2025 não sofreria alterações, mencionou a possibilidade de um recesso mais curto em 2026. "Férias longas acarretam dificuldades acadêmicas entre os alunos mais vulneráveis", explicou a ministra. Ela enfatizou a necessidade de revisar o calendário escolar, um debate recorrente na França. Apesar de iniciativas semelhantes terem fracassado no passado, o governo parece determinado a reabrir essa questão, mesmo com as objeções dos sindicatos, que apontam riscos para o bem-estar dos estudantes e para o setor turístico.
Os sindicatos permanecem divididos quanto a esta proposta. O SE-Unsa destaca os efeitos positivos observados em alguns países europeus, enquanto outros, como o Snes-FSU, acreditam que a prioridade deve ser dada à reforma da profissão docente e à redução do número de alunos por turma.