O Japão condenou veementemente na quarta-feira a decisão da China de proibir a exportação para o arquipélago de bens de "dupla utilização", ou seja, bens que podem ter aplicações civis e militares, classificando a medida como "absolutamente inaceitável e profundamente lamentável".
Essa nova tensão diplomática surge em meio à deterioração das relações entre Japão et Chinana sequência das declarações do primeiro-ministro japonês Sanae Takaichi Acreditando que um ataque chinês a Taiwan poderia constituir uma ameaça existencial para Tóquio, Pequim, que reivindica Taiwan como parte integrante de seu território, exigiu uma retratação dessas declarações, que não foi respondida.
"Tal medida, que visa apenas o Japão, diverge significativamente da prática internacional", afirmou o secretário do gabinete japonês. Minoru KiharaEle afirmou isso durante uma coletiva de imprensa. No entanto, indicou que ainda era muito cedo para avaliar com precisão o impacto na indústria japonesa.
De acordo com o jornal chinês, os produtos em questão incluem, em particular, certos elementos de terras raras, essenciais para a fabricação de semicondutores, drones e veículos elétricos. China DailySegundo relatos, Pequim está considerando ir além, endurecendo as licenças de exportação de terras raras para o Japão, uma perspectiva considerada particularmente preocupante por analistas.
Apesar dos esforços de diversificação empreendidos desde um episódio semelhante em 2010, aproximadamente 60% das importações japonesas de terras raras ainda provêm da China. Uma restrição de três meses poderia custar à economia japonesa até 660 bilhões de ienes e reduzir o PIB anual em 0,11%, segundo o economista. Takahide Kiuchi.
Nesta fase, porém, os dados alfandegários chineses não mostram qualquer declínio nas exportações de terras raras para o Japão, que inclusive aumentaram em novembro passado.