Na Austrália, Gerringong está sufocando sob a fama de sua estrela de rua do TikTok.
Na Austrália, Gerringong está sufocando sob a fama de sua estrela de rua do TikTok.

A duas horas ao sul de Sydney, Gerringong tinha tudo o que precisava para continuar sendo o que sempre foi: uma tranquila vila costeira aninhada entre colinas verdejantes e o azul metálico do Pacífico. Um cartão-postal, sim, mas habitado. Nos últimos meses, essa tranquilidade foi destruída.

Porque a estrela local se chama Tasman Drive, uma rua residencial que viralizou no TikTok, Instagram e até no RedNote. A mesma imagem se repete incessantemente: uma rua que desce até o oceano, gramados impecavelmente cuidados, um horizonte que fica lindo na tela. Como resultado, os visitantes às vezes chegam de ônibus, param por alguns minutos, pegam seus celulares e vão embora, como se estivessem marcando um item em uma lista.

Moradores locais descrevem um cotidiano perturbado por esse espetáculo. Peter Hainsworth, de 81 anos, fala de motoristas fazendo retornos constantes, pessoas paradas no meio da rua para "tirar fotos" e lixo deixado para trás. Seu veredicto é direto, quase cansado: "Todo mundo está de saco cheio". É difícil discordar quando uma rua comum começa a funcionar como um set de filmagem sem um diretor de produção.

Quando o algoritmo transforma uma rota em uma atração

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Então, todos estão buscando uma resposta, ao estilo praiano. Alguns estão acionando irrigadores automáticos assim que os smartphones são levantados, uma maneira educada de lembrar a todos que esses gramados não são um estúdio. Outros estão pedindo medidas mais tradicionais, como tornar a Tasman Drive mão única para acalmar o trânsito, limitar as paradas ilegais e reduzir a sensação de carnaval a céu aberto.

O fenômeno já se espalhou para além de Gerringong. De Barcelona a Veneza, do Monte Fuji às aldeias alpinas, o mesmo padrão se repete: um lugar viraliza, visitantes acorrem a ele em horários específicos, a infraestrutura não consegue acompanhar e os moradores locais sofrem as consequências. As plataformas prometem um sonho, mas muitas vezes entregam engarrafamentos e lixeiras transbordando, deixando uma pergunta simples no fim das contas: quem realmente se beneficia dessa visibilidade repentina?

Até mesmo o argumento econômico é controverso. Alguns comércios atraem um pequeno fluxo de pedestres, enquanto outros veem principalmente carros parando para tirar fotos e indo embora sem comprar nada. Melissa Matters, vice-prefeita e empresária, destaca que Gerringong sempre dependeu do turismo, mas agora com um novo perfil: acelerado, apressado e, às vezes, indiferente. O Oceano Pacífico, no entanto, não mudou; a questão permanece: será que a cidade encontrará o equilíbrio certo entre acolher os visitantes e impor limites, antes que sua rua principal acabe entediando a todos, inclusive os turistas?

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