Kohler deixa o Palácio do Eliseu, Emmanuel Moulin assume o cargo.
Kohler deixa o Palácio do Eliseu, Emmanuel Moulin assume o cargo.

Após quase oito anos no Palácio do Eliseu como Secretário-Geral, Alexis Kohler prepara-se para virar a página. Uma das figuras mais poderosas da Quinta República, discreta mas indispensável no círculo íntimo de Macron, deixará o cargo em meados de abril. Esta saída marca o fim de uma década de estreita colaboração com o presidente. Emmanuel Macron, que começou no início de sua gestão no Ministério da Economia. Um período excepcional à frente da Secretaria-Geral do Palácio do Eliseu, marcado por uma longevidade rara – ele supera Dominique de Villepin e fica logo atrás de Jean-Louis Bianco.

Um homem fiel entre os fiéis o sucede.

Para sucedê-lo, o presidente escolheu Emmanuel Moulin, um funcionário público de carreira experiente, ex-diretor do Tesouro e chefe de gabinete de Bruno Le Maire Em Bercy e depois de Gabriel Attal para Matignon. A transição será gradual: Moulin irá ao Palácio do Eliseu nos próximos dias para um período de transição com Kohler, antes de assumir definitivamente suas funções. Essa transição ordenada confirma o método de Kohler: rigor, discrição e antecipação.

O ex-secretário-geral, frequentemente descrito como o “vice-presidente” não oficial do círculo íntimo de Macron, deixa o cargo com um sentimento de cansaço. Exausto da atenção da mídia e do parlamento — particularmente do caso Benalla e de sua audiência no Senado — e fragilizado pelos processos judiciais em andamento, ele optou por ingressar discretamente no setor privado, fiel ao seu estilo. Emmanuel Macron o elogiou como um homem “exemplar” e “essencial para a ação coletiva”.

Nos bastidores, Alexis Köhler resistiu a todas as tempestades da era Macron: o movimento dos Coletes Amarelos, a crise da Covid, guerras internacionais, reformas impopulares… Ele foi um dos pilares mais consistentes do mandato de cinco anos, a ponto de personificar para muitos o núcleo tecnocrático do poder. Sua lealdade, seu senso de dever para com o Estado e sua capacidade de articular relacionamentos o tornaram uma figura central, respeitada até mesmo fora dos círculos mais próximos de Macron.

Ao nomear Emmanuel Moulin, o Presidente aposta na continuidade com uma figura experiente e intimamente familiarizada com o funcionamento do orçamento e do Estado. É também uma forma de consolidar o controlo do aparelho político à medida que o mandato presidencial se aproxima do fim e de manter a supervisão da implementação das reformas. A saída de Alexis Kohler marca uma importante mudança no Macronismo. O seu sucessor terá a difícil tarefa de dar continuidade a este trabalho nos bastidores de forma impecável.

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