A uma semana do primeiro turno das eleições municipais, o Partido Socialista intensifica suas críticas à La France Insoumise e ao seu líder, Jean-Luc Mélenchon. O objetivo é claro: impedir, na medida do possível, que as listas da La France Insoumise cheguem ao segundo turno e evitar ter que negociar alianças locais que possam enfraquecer os candidatos socialistas.
Em entrevista concedida a ParisienseO primeiro-secretário do Partido Socialista, Olivier Faure, denunciou a linha política de Jean-Luc Mélenchon, argumentando que ela "mina a causa" da esquerda. Ele também afirmou que algumas declarações recentes semearam discórdia até mesmo dentro das fileiras da França Insubmissa (LFI). O líder socialista, no entanto, fez questão de distinguir os eleitores da LFI de seu líder, instando-os a apoiar as listas socialistas.
Impedir que a LFI permaneça na segunda rodada.
A estratégia do Partido Socialista inclui reduzir o número de votos para as listas da La France Insoumise (LFI) abaixo do limite de 10% necessário para avançar para o segundo turno. Ao convocar um "voto estratégico" no primeiro turno, alguns líderes socialistas esperam evitar a necessidade de formar alianças com a LFI em cidades onde a esquerda tem chances de vencer.
Essa posição, contudo, permanece delicada. Os socialistas precisam atrair os eleitores da esquerda mais radical, evitando ao mesmo tempo perder os eleitores do centro-esquerda, que poderiam se afastar de uma lista associada à França Insubmissa. O deputado socialista Jérôme Guedj argumentou, portanto, que os eleitores de esquerda deveriam apoiar candidatos socialistas não filiados à França Insubmissa desde o primeiro turno.
Equilíbrios locais frágeis
Em diversas grandes cidades, o equilíbrio de poder torna a situação particularmente delicada. Em Paris, o socialista Emmanuel Grégoire conseguiria derrotar a candidata do LR, Rachida Dati, na maioria dos cenários, exceto em uma disputa a três com a candidata do La France Insoumise, Sophia Chikirou.
Em Marselha, o atual prefeito, Benoît Payan, apoiado pelo Partido Socialista, está em empate técnico com a Reunião Nacional. Sua situação pode se tornar crítica se o candidato da França Insubmissa, Sébastien Delogu, com cerca de 14% das intenções de voto, permanecer na disputa para o segundo turno.
O debate sobre alianças
Jean-Luc Mélenchon, por sua vez, defendeu uma "fusão técnica" entre as listas de esquerda no segundo turno para formar uma "frente antifascista". Segundo o jornal La France Insoumise (LFI), essa fusão não significaria necessariamente a gestão conjunta dos municípios em caso de vitória.
Mas essa opção é rejeitada por diversas figuras socialistas. O ex-presidente François Hollande alertou contra qualquer "compromisso" com a França Insubmissa, acreditando que tal aliança poderia alienar parte do eleitorado de esquerda e ter um impacto duradouro no equilíbrio político, particularmente em relação às eleições presidenciais de 2027.
Além de Paris e Marselha, a situação permanece incerta em várias cidades importantes como Nantes, Amiens, Limoges e Toulouse, onde o equilíbrio de poder pode depender da permanência ou não das listas da La France Insoumise no segundo turno. Olivier Faure tem visitas agendadas a essas cidades durante a última semana de campanha para apoiar os candidatos socialistas.