As conversações realizadas nesta terça-feira em Paris surpreenderam muitos com seu tom decididamente otimista. Segundo diversas fontes diplomáticas presentes, incluindo uma que forneceu informações exclusivas à revista Entrevue, as discussões foram "muito positivas", marcadas por um desejo compartilhado de preparar um cenário para a resolução da crise. A presença do representante dos EUA, Witkoff, reforçou essa impressão de um raro alinhamento entre aliados em torno de um objetivo comum: criar finalmente as condições para uma paz duradoura. Mesmo que as exigências estabelecidas por Vladimir Putin No entanto, os participantes acreditam que "pela primeira vez em muito tempo, existe um espaço real para negociação".
No centro das discussões, a França surpreendeu muitos ao levantar a possibilidade de enviar uma missão internacional de estabilização, uma força de paz comparável aos famosos "capacetes azuis". Paris ressalta que esse papel não é inédito: na década de 80, no Líbano, suas tropas ajudaram a garantir a segurança de áreas inteiras e a evitar uma conflagração total. Emmanuel MacronEm consonância com essa tradição de intervenção humanitária, o governo agora considera o envio de "vários milhares de soldados", desde que um cessar-fogo seja assinado. Essa presença de não combatentes tem como objetivo monitorar o cumprimento do acordo e prevenir qualquer escalada do conflito.
Essa perspectiva, impensável há poucos meses, ajudou a criar uma nova atmosfera na reunião de Paris. Diplomatas descreveram um clima "construtivo", no qual cada delegação parecia compreender a urgência da estabilização. Mesmo do lado americano, geralmente mais cauteloso quanto ao envio de forças não combatentes, surgiu um vislumbre de abertura. "Este é um ponto de virada", comentou um observador, "porque todos entendem que, sem uma força de monitoramento, nenhum acordo de paz durará mais do que algumas semanas."
Outro elemento significativo deste dia: o batismo de fogo de Kyrylo BoudanovO ex-chefe da inteligência militar ucraniana participava pela primeira vez de uma rodada de negociações internacionais como diretor da administração presidencial. Apresentado a diversos representantes estrangeiros pelo ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Rustem Umierov, Budanov despertou grande curiosidade, visto que sua influência cresceu significativamente desde sua nomeação. Para Kiev, seu envolvimento simboliza uma mudança de abordagem: combinar um perfil estratégico e operacional com discussões diplomáticas, na esperança de conferir credibilidade à posição ucraniana.
Embora nada esteja ainda finalizado e a Rússia mantenha condições difíceis, uma sensação de esperança surgiu em Paris. A ideia de que a França possa voltar a ser uma das grandes arquitetas da paz, como já o foi diversas vezes ao longo da história, circula com crescente seriedade nos círculos diplomáticos.