Na sexta-feira, o Tribunal de Contas fez uma avaliação franca do programa "CatNat": o mecanismo de compensação por desastres naturais, criado em 1982, continua "eficaz" para as vítimas, com cobertura rápida por meio de seguros assim que um decreto interministerial reconhece o estado de calamidade pública. No papel, o sistema funciona perfeitamente. Na realidade, ele se baseia em um mecanismo familiar a todos: a solidariedade nacional, financiada por uma sobretaxa em apólices de seguro residencial e automotivo multirrisco — uma pequena taxa que tem pouco impacto enquanto os eventos permanecerem relativamente previsíveis.
A conta está aumentando, a seca está ditando as regras.
A conta, no entanto, está fora de controle. O Tribunal observa um aumento na frequência e intensidade dos riscos cobertos — inundações, secas, ventos ciclônicos — com um culpado recorrente: a seca e a contração e expansão dos solos argilosos, um fenômeno que racha casas como um pão assado demais. Nos últimos cinco anos, os danos relacionados à seca atingiram uma média de € 1,35 bilhão por ano, em comparação com uma média de € 700 milhões por ano desde que esse risco foi incluído no programa em 1989. O aquecimento global, estimado em cerca de 1,3°C desde o século XIX, não é apenas um conceito teórico; ele se traduz em paredes rachadas, arquivos acumulados e finanças apertadas.
A pressão climática é agravada por um processo administrativo por vezes oneroso: atrasos nos trâmites, procedimentos considerados complexos e litígios, especialmente durante períodos de seca. O relatório destaca ainda disputas sobre os critérios de reconhecimento, com um crescente sentimento de injustiça quando um município é selecionado enquanto o seu vizinho é rejeitado, desconsiderando as realidades locais. Para evitar que o sistema perca o seu ímpeto, o Tribunal recomenda uma reavaliação periódica da taxa de sobretaxa, enfatizando a importância de abordagens menos dispendiosas do que as reparações, como a prevenção, o planeamento urbano e a redução da vulnerabilidade dos edifícios, uma vez que a trajetória é conhecida e exige uma visão de futuro.
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