Primeiro, temos esta notícia que já não se parece muito com uma notícia. Um suíço de 22 anos, residente no cantão de Vaud, foi sequestrado e mantido em cativeiro na região de Drôme entre 28 e 31 de agosto, supostamente por causa de uma quantia relacionada a criptomoedas. Na terça-feira, 10 de março, a Gendarmaria Nacional Francesa anunciou a acusação de doze novos indivíduos suspeitos de envolvimento no caso, evidenciando que não se tratava de uma operação isolada, mas sim de parte de uma operação maior.
Essa onda de atividades legais decorre de uma operação realizada no início de março: dezoito prisões no total, efetuadas em 2 de março após mais de seis meses de investigação. Desses doze novos indivíduos acusados, três foram colocados em prisão preventiva e os outros nove sob supervisão judicial. E a história não começa aí: já no início de setembro, sete dos suspeitos iniciais haviam sido acusados e presos, como se a investigação, camada por camada, estivesse desvendando uma rede.
Quando o resgate se torna digital, a violência continua sendo muito real.
Quando o resgate se torna digital, a violência continua muito real. Porque a vítima não é um personagem de um thriller distante. Segundo a polícia suíça, o jovem foi "gravemente maltratado e ferido" durante o cativeiro, antes de ser libertado em uma operação do GIGN perto da estação ferroviária de Valence. O cenário fala por si só: o cotidiano francês, ruas, uma estação de trem e, de repente, a erupção de um crime muito contemporâneo, onde o dinheiro não viaja mais em malas, mas sim por meio de carteiras digitais.
O que chama a atenção neste caso é a lógica de rede revelada por essas acusações em cascata. Os investigadores parecem não estar mais buscando apenas os perpetradores, mas também os cúmplices e o funcionamento interno: reconhecimento, logística, vigilância, negociação e potenciais "mentores". Nesse tipo de caso, acusações graves são sempre uma possibilidade (sequestro e cárcere privado por um grupo organizado, extorsão, conspiração criminosa), e é compreensível por que as investigações dependem cada vez mais de habilidades de investigação cibernética, capazes de rastrear fluxos de dados "pseudônimos", mas rastreáveis.
Nos últimos dois anos, os ataques de ransomware ligados a criptomoedas têm se multiplicado na Europa, e a França já não está imune a essa tendência crescente. A tentação do enriquecimento rápido é forte, a visibilidade nas redes sociais é reveladora e a violência, ao contrário da violência real, nunca se torna digital: ela é perpetrada contra pessoas em locais comuns. A questão agora não é mais simplesmente desmantelar um grupo na região de Drôme, mas sim se o Estado conseguirá retomar o controle sobre esse crime híbrido, tanto nas ruas quanto no mundo virtual. Quem será o próximo nome da lista?