Desta vez, não se trata apenas de mais uma promessa vazia em uma longa saga. A Autoridade Palestina extraditou Hicham Harb, um palestino suspeito de ter supervisionado o atentado de 1982 na Rue des Rosiers, em Paris, para a França, segundo seu advogado, Ammar Dweik. "A família de Hicham Harb entrou em contato comigo hoje para informar que foi notificada pela Autoridade Palestina sobre sua extradição para a França", afirmou, especificando que a transferência ocorreu na quinta-feira.
Voltando ao verão de 1982. Em 9 de agosto, um ataque com granada seguido de disparos de metralhadora atingiu o restaurante Jo Goldenberg, no bairro do Marais. Seis pessoas morreram e 22 ficaram feridas, um choque que marcou Paris e o mundo. O ataque foi atribuído ao Fatah - Conselho Revolucionário de Abu Nidal, um grupo palestino que havia se separado da OLP. Hisham Harb está entre os vários suspeitos procurados há anos pela justiça francesa, prova de que alguns casos não envelhecem, eles se deterioram.
Um caso que se recusa a ser encerrado.
Um caso que se recusa a encerrar. Nos últimos meses, a engrenagem da justiça tem girado mais rápido. Em fevereiro, o Tribunal de Cassação confirmou a possibilidade de julgamento, apesar das objeções de dois réus: Abou Zayed, um norueguês de origem palestina apresentado como um dos atiradores, detido na França desde 2020, e Hazza Taha, nascido na Cisjordânia, suspeito de porte ilegal de armas e colocado sob vigilância judicial. A prisão de Hicham Harb, anunciada pelas autoridades palestinas em setembro de 2025, já fazia parte dessa aceleração.
O contexto político permanece sempre presente quando se trata de extradições delicadas. No final de 2025, Mahmoud Abbas vinculou a ideia de uma transferência ao reconhecimento, por parte da França, de um Estado palestino, referindo-se a isso como "um enquadramento apropriado para este pedido francês" em entrevista ao Le Figaro. Hicham Harb também é alvo de um mandado de prisão alemão de 1988, relacionado com a investigação do atentado no aeroporto de Frankfurt em 1985, e seu nome consta de outras investigações europeias, segundo fontes judiciais. Na França, a chegada de mais um suspeito reacende uma expectativa simples, quase obstinada: a de que a justiça seja finalmente feita, apesar da passagem do tempo e das barreiras geográficas.
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