O clarinetista e saxofonista Michel Portal faleceu aos 90 anos, anunciou sua família neste domingo. Músico que desafiou categorizações, ele deixou uma marca indelével na cena do jazz contemporâneo na Europa, além de ter tido uma carreira de destaque na música clássica e em trilhas sonoras para filmes. Sua morte ocorreu na quinta-feira, segundo seu agente.
Formado no Conservatório de Paris, onde ganhou o primeiro prêmio de clarinete em 1959, este nativo de Bayonne destacou-se inicialmente como solista clássico. Participou das estreias de obras de grandes compositores do século XX, como Pierre Boulez, Luciano Berio e Karlheinz Stockhausen. Mas foi ao aventurar-se na improvisação que forjou seu estilo único, rejeitando quaisquer fronteiras entre os gêneros.
Um pioneiro do free jazz na Europa
A partir de meados da década de 1960, ele contribuiu para o surgimento de um movimento europeu de free jazz, libertado dos modelos americanos. Seu álbum "Free Jazz" e os grupos que liderou, notadamente o Michel Portal Unit, estabeleceram um estilo de composição ousado, aberto a influências interculturais e à experimentação. Premiado diversas vezes com o César por suas trilhas sonoras para filmes, além de um Grand Prix National de la Musique e uma Victoire du Jazz, ele defendeu uma busca constante por uma "nova linguagem", distante de qualquer rotina.
Comprometido com a ideia de música vibrante e festiva, Michel Portal dedicou-se a inúmeras colaborações e projetos até seus últimos anos, tendo inclusive lançado recentemente um novo álbum. Para muitos artistas e observadores, ele personificou uma figura importante do jazz moderno, capaz de unir a tradição clássica, a liberdade de improvisação e a criação contemporânea.