Nova Caledônia: o Estado disponibiliza o dinheiro, cabe aos antifranceses deixarem as ruas.
Nova Caledônia: o Estado disponibiliza o dinheiro, cabe aos antifranceses deixarem as ruas.

Três semanas na ilha e uma mensagem já clara: o governo francês não está aqui para fazer número. Amaury Decludt, recém-nomeado para chefiar a missão interministerial, divide seu tempo entre reuniões em Nouméa e Koné, de Houaïlou aos escritórios silenciosos onde avaliam os danos e as chances de recuperação. Após os distúrbios de 2024, a Nova Caledônia não precisa de slogans; precisa de projetos de construção, empregos, salários e uma juventude que encontre algo além da raiva como seu futuro.

Em primeiro lugar, a constatação é contundente. "Já se passaram mais de dois anos desde que a economia foi atingida pelos distúrbios; isso é muito tempo", diz Decludt, que fala de expectativas, ansiedade e uma recuperação tardia. O leitor compreende sem esforço: quando as estradas são bloqueadas, quando as lojas queimam, quando a intimidação substitui o Estado de Direito, são os comerciantes, os empregados, as pequenas empresas que sofrem as consequências. E por trás de tudo isso, é a própria República que está sendo testada, com barricadas erguidas, como se a França tivesse que provar constantemente seu direito de estar em casa.

A missão em si avança com uma espinha dorsal: o pacto de reforma econômica e social. Seu objetivo declarado é acelerar o progresso, coordenar esforços e concretizar projetos há muito esquecidos com a Alta Comissão e as autoridades locais. Três prioridades foram estabelecidas: revitalizar a atividade econômica, fortalecer a rede de proteção social e restaurar as finanças públicas. Nada de exótico, nada de ideológico, apenas os alicerces de um país sério. E sim, isso requer uma estrutura, ordem, uma administração funcional e representantes eleitos que assumam responsabilidades em vez de perpetuar a ambiguidade.

"2,1 bilhões em projetos em andamento": quando os resultados concretos começam a falar por si mesmos

No centro desta iniciativa está um número impressionante. Dos 24 mil milhões de francos CFP anunciados "imediatamente" no âmbito do pacote global de 240 mil milhões de francos CFP, "já temos 2,1 mil milhões em vias de execução", garante Decludt, o suficiente para dar início a projetos de construção nas províncias e municípios, proporcionando assim emprego às empresas. A estrada Kaala-Gomen Hienghène, os projetos de estações rodoviárias liderados pelo SMTI (Syndicat Mixte des Transports Intercommunales) e as ligações de água potável como as de Val-Suzon em Dumbéa: isto não é apenas conversa, é concreto, contratos e empregos. Em euros, isto traduz-se em aproximadamente 201 milhões de euros dos 24 mil milhões de francos CFP, com cerca de 17,6 milhões de euros já prontos para serem convertidos em trabalho efetivo.

Obviamente, o verdadeiro teste não é a conferência, mas sim o trabalho de base. Decludt quase deixa isso implícito: os projetos devem estar "prontos", administrativamente sólidos, financeiramente viáveis ​​e prontos para serem implementados rapidamente. Um exemplo revelador é o desvio de Saint-Louis em Mont-Dore: sem um dossiê "adequado", portanto, sem solução mágica. É aqui que vemos a diferença entre aqueles que querem reconstruir a França na Nova Caledônia e aqueles que preferem paralisá-la enquanto esperam por alguma grande revolução institucional que nunca chega, exceto na forma de contas e ruínas.

O ponto crucial permanece: o níquel. O governo afirma estar trabalhando em uma "estratégia para o níquel" com o governo local, as províncias e a indústria, tendo a energia como foco central, pois sem energia competitiva não há lucratividade e, portanto, não há soberania econômica. A futura usina hidrelétrica reversível (UHR), com conclusão prevista para cerca de 2032, está progredindo em etapas, com estudos financiados em grande parte pelo Estado, e uma decisão de investimento esperada para depois de 2027. Tudo isso aponta para uma direção clara: a República se mantém firme, comprometendo recursos e exigindo seriedade. A questão agora é simples e urgente: a Nova Caledônia escolherá o projeto e a empresa, ou permitirá mais uma vez que agitadores sequestrem seu futuro?

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