Berlinale 2026: uma edição engajada que mescla geopolítica e narrativas pessoais.
Berlinale 2026: uma edição engajada que mescla geopolítica e narrativas pessoais.

A 76ª Berlinale abre suas portas nesta quinta-feira, às 19h, em Berlim, dando início a dez dias de exibições e debates até 21 de fevereiro. Quase 200 filmes estão programados, incluindo 22 na competição oficial. Presidido pelo cineasta alemão Wim Wenders, o júri terá que escolher entre uma seleção marcada pelas tensões do mundo contemporâneo e uma forte presença de diretoras.

Uma competição focada nas fraturas do mundo

O primeiro grande evento cinematográfico internacional de 2026, o festival adota uma linha editorial atenta às convulsões políticas e sociais. A diretora Tricia Tuttle explicou à AFP que muitos filmes exploram como a esfera privada — família, intimidade, cuidado, identidade — é permeada por forças políticas mais amplas. Em entrevista à agência, ela também enfatizou a necessidade de defender a liberdade artística em um contexto internacional que descreveu como polarizado.

O filme de abertura, No Good Men, é dirigido pela cineasta afegã Shahrbanoo Sadat. Este terceiro longa-metragem conta a história de uma jornalista de Cabul separada do pai de seu filho enquanto o Talibã se prepara para tomar o poder. A cineasta, que vive na Alemanha desde 2021 após fugir de seu país, oferece uma narrativa profundamente enraizada nas experiências de mulheres afegãs, segundo a apresentação oficial divulgada pela AFP. Fora de competição, Roya, da diretora iraniana Mahnaz Mohammadi, explora o dilema de uma professora presa na prisão de Evin, em Teerã, confirmando a presença significativa de obras que emergem de contextos politicamente constrangidos.

Autores consagrados e alguns grandes nomes

A competição também contará com o retorno de cineastas aclamados. O diretor brasileiro Karim Aïnouz apresenta "A Poda da Roseira", descrito como uma sátira da família patriarcal, com um elenco que inclui Elle Fanning, Callum Turner, Jamie Bell e Pamela Anderson. A atriz alemã Sandra Hüller, que ganhou reconhecimento internacional com "Anatomia de uma Queda" e "Zona de Interesse", também está entre as participantes esperadas.

Embora a Berlinale continue menos focada em grandes produções do que Cannes ou Veneza, alguns filmes com elencos internacionais foram anunciados, como The Weight, com Ethan Hawke e Russell Crowe, filmado na Alemanha, embora ambientado no Oregon da década de 1930. Juliette Binoche defenderá Queen at Sea na competição oficial, enquanto Isabelle Huppert estará em The Blood Countess, de Ulrike Ottinger.

No total, cerca de 200 filmes serão exibidos durante o festival, que sucede o Urso de Ouro de 2025 concedido a "Dreams", do diretor norueguês Dag Johan Haugerud, segundo informações divulgadas pelos organizadores. Entre novas descobertas, perspectivas políticas e grandes nomes do cinema internacional, a Berlinale confirma seu status como uma vitrine comprometida com o cinema mundial.

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