Em entrevista exclusiva à Entrevue, Gérald Autier, editor do livro, fala sobre o assunto. Parem com o capitalismo woke Publicado pela Omerta, este livro analisa a crescente influência do "wokismo" dentro das empresas, outrora bastiões do livre comércio. Através dessa discussão, ele lança luz sobre os mecanismos pelos quais essa ideologia se consolidou e compartilha propostas para conter esse fenômeno, oferecendo, assim, uma perspectiva crítica e perspicaz sobre os excessos do capitalismo moderno.
Entrevista: Como você definiria o wokismo de forma simples?
Gérald Autier: O wokismo é um movimento que busca conscientizar sobre as desigualdades relacionadas a raça, gênero e orientação sexual. Aqueles que são "woke" sentem-se frustrados com essas desigualdades e buscam corrigi-las. Esse movimento abrange temas como patriarcado, racismo sistêmico, masculinidade tóxica e privilégio branco. Em resumo, o wokismo se refere ao desejo de corrigir desigualdades percebidas como injustificadas para alcançar a justiça social.
Quando e como esse "wokismo" surgiu em nossas sociedades e empresas?
Não há um antes e um depois distintos. O movimento evoluiu gradualmente, marcado por eventos significativos como o movimento MeToo em 2017 e o assassinato de George Floyd em 2020. Esses eventos trouxeram à tona questões de sexismo e racismo, particularmente no ambiente de trabalho. As empresas, então, adotaram os temas do "wokismo", seja por convicção ou por oportunismo.
O movimento wok pode piorar ou desaparecer?
Estamos numa encruzilhada. Algumas empresas se tornarão cada vez mais "conscientes", enquanto outras se afastarão dessa postura. A sociedade está se polarizando, e isso se reflete nas marcas. Vemos empresas que continuam a adotar posicionamentos "conscientes" e outras que estão se afastando parcialmente.
O wokismo constitui um obstáculo à meritocracia?
Os ativistas do movimento woke rejeitam categoricamente a meritocracia, que associam à supremacia branca. Isso é problemático porque a meritocracia é um pilar do capitalismo e da prosperidade ocidental. Seguir o caminho do wokeismo pode levar à descivilização.
Uma empresa corre um grande risco ao se declarar anti-woke?
Já não existe um grande risco se uma empresa se posicionar subtilmente contra o "wokismo". Os consumidores estão cada vez mais a reagir às mensagens transmitidas pelas marcas, como demonstram exemplos recentes como o boicote à Budweiser ou a dificuldade da Victoria's Secret em impor os chamados modelos inclusivos.
Que soluções você recomenda para enfrentar o wokismo?
Boicotar é uma forma de votar com a carteira. Os consumidores precisam estar cientes de suas opções e recusar produtos e serviços que não lhes agradam. Meu livro visa aumentar essa conscientização.
Que papel a eleição de Trump poderia desempenhar nesse contexto?
O retorno de Trump ao poder nos Estados Unidos pode eliminar algumas leis federais. No entanto, ele não conseguirá mudar tudo, pois uma parcela da sociedade americana permanece comprometida com os ideais progressistas. A sociedade continuará polarizada.
Você tem algum exemplo de capitalismo woke na França?
Na França, isso se manifesta em ações como a retirada dos cremes anti-clareamento da L'Oréal, mas também somos afetados por campanhas publicitárias de corporações multinacionais, como vimos recentemente com a Jaguar. Treinamentos sobre não discriminação e processos de recrutamento focados na diversidade também são exemplos de capitalismo woke na França.
Entrevista por Radouan Kourak