Desde 10 de janeiro de 2025, os imãs ligados à Grande Mesquita de Paris (GMP) encerram as orações de sexta-feira com uma súplica em árabe e francês, pedindo pela preservação e prosperidade da França. Esta iniciativa, liderada pelo Reitor Chems-Eddine Hafiz, visa celebrar o compromisso dos muçulmanos franceses com o princípio do laicismo e reafirmar seu pertencimento à comunidade nacional. A súplica expressa um desejo de paz, segurança e coesão na sociedade francesa, em toda a sua diversidade cultural e religiosa.
O reitor enfatizou a importância desta iniciativa neste ano em que se comemora o 120º aniversário da lei de 1905 sobre a separação entre Igreja e Estado. Ressaltou também a rejeição do Islã à violência e sua recusa em associar imigração e religião, denunciando os atalhos estigmatizantes que podem prejudicar a imagem dos muçulmanos na França.
Essa iniciativa foi bem recebida pelos fiéis, que a interpretaram como uma mensagem de paz e gratidão para com a República Francesa. Ela assume particular importância no contexto das tensões entre Paris e Argel, ilustrando o desejo das instituições muçulmanas na França de promover os valores da convivência pacífica e da unidade nacional.
A invocação pela França faz parte de uma tradição já adotada por outras religiões. Nas sinagogas, por exemplo, recita-se há muitos anos uma "oração pela República". A Grande Mesquita de Paris passou a incluir esse tipo de oração após eventos trágicos como o assassinato de Samuel Paty em 2020, fortalecendo assim o diálogo entre os valores republicanos e as práticas religiosas. Com essa iniciativa, a Grande Mesquita de Paris reafirma seu papel fundamental na promoção da coesão social na França, defendendo a preservação dos valores da paz, do respeito mútuo e da fraternidade na sociedade.