Na sexta-feira, 28 de março, a promotoria solicitou prisão perpétua com um período mínimo de cumprimento de 22 anos para Mounir Boutaa. Ele é acusado de assassinar sua esposa, Chahinez Daoud, que foi queimada viva em 4 de maio de 2021, em frente à sua casa em Mérignac. A tragédia, de violência sem precedentes, chocou profundamente a população. O homem primeiro atirou na jovem mulher antes de encharcá-la com gasolina e atear fogo.
Uma execução planejada
Ao longo do julgamento, as provas apresentadas corroboraram a teoria da premeditação. Mounir Boutaa estava escondido desde o amanhecer em uma van sem identificação, estacionada em frente à casa de sua esposa. O veículo, recentemente adquirido e modificado para vigilância discreta, continha um galão de gasolina, dois isqueiros e um pedaço de tecido transformado em pavio. Esses preparativos, somados à vigilância constante ao longo do dia, pintam um quadro arrepiante de uma armadilha preparada para a vítima. "Ele executou o que havia premeditado", insistiu o promotor.
Em juízo, Mounir Boutaa negou qualquer intenção de matar, alegando que só queria "assustá-la". Mas especialistas em psiquiatria o descreveram como um homem paranoico, extremamente perigoso, obcecado com a ideia de uma amante imaginária e desprovido de empatia. Apesar de reconhecer o comprometimento do discernimento, o juiz pediu que isso não fosse levado em consideração na determinação da pena, citando sua persistente periculosidade psiquiátrica e criminológica.
Vítima de violência reiterada, Chahinez Daoud vivia sob o controle do marido, privada de sua liberdade, de seu status legal e de seu emprego. Ela havia registrado uma queixa um mês e meio antes de sua morte, queixa essa que foi mal conduzida por um policial ele próprio condenado por violência doméstica. Para sua família e para as inúmeras associações que se mobilizaram ao longo da semana em frente ao tribunal, este julgamento tornou-se um símbolo dos feminicídios na França e das falhas sistêmicas na proteção das mulheres vítimas.