Jasveen Sangha, apelidada de "Rainha da Cetamina" pelos promotores, foi condenada na quarta-feira a 15 anos de prisão federal em Los Angeles por seu envolvimento na venda de cetamina que levou à morte do ator Matthew Perry, estrela de AmigosA juíza federal Sherilyn Peace Garnett proferiu uma sentença de acordo com o pedido da promotoria, enquanto Sangha enfrentava até 65 anos de prisão.
Uma rede de tráfico de drogas no centro da tragédia
Segundo o Departamento de Justiça dos EUA, Jasveen Sangha se declarou culpada em setembro de 2025 de cinco acusações: manter um local de tráfico de drogas, três acusações de distribuição de cetamina e uma acusação de distribuição de cetamina resultando em morte ou lesão corporal grave. As autoridades a descrevem como uma traficante baseada em North Hollywood, que operava um negócio de drogas a partir de sua casa, visando principalmente uma clientela abastada em Los Angeles.
Como Matthew Perry obteve a ketamina mortal
A investigação apurou que, em outubro de 2023, Sangha, em conluio com o intermediário Erik Fleming, forneceu a Matthew Perry 51 frascos de cetamina, que foram posteriormente entregues ao assistente pessoal do ator, Kenneth Iwamasa. Em 28 de outubro de 2023, Iwamasa injetou em Perry pelo menos três doses dessa droga, antes de o ator ser encontrado morto em sua banheira de hidromassagem em sua casa em Los Angeles. A autópsia concluiu que Perry morreu em decorrência dos efeitos agudos da cetamina, com afogamento e outros fatores contribuintes.
Um traficante acusado de ter agido conscientemente.
Os promotores argumentaram que Sangha tinha plena consciência do que estava fazendo e que continuava uma lucrativa operação de tráfico de drogas apesar dos riscos. O Departamento de Justiça também alega que ela já havia vendido cetamina em 2019 para outra pessoa, Cody McLaury, que morreu poucas horas depois de overdose. Após a morte de Matthew Perry, ela teria trocado mensagens com Fleming pelo Signal numa tentativa de se distanciar do caso e pediu que as mensagens fossem apagadas.
Uma casa transformada em uma verdadeira "farmácia".
Durante uma busca em sua casa em março de 2024, as autoridades descobriram 79 frascos de ketamina líquida, milhares de comprimidos de metanfetamina, comprimidos falsificados de Xanax, ecstasy, cocaína, materiais para embalagem, balanças, uma máquina de contar dinheiro, um detector de sinais e câmeras escondidas, além de US$ 5.723 em dinheiro. Esses itens reforçaram o argumento da promotoria de que a casa de Sangha funcionava como um verdadeiro centro de armazenamento e distribuição de drogas.
O remorso foi considerado insuficiente pelo sistema de justiça.
Na audiência, Sangha expressou remorso e admitiu ter tomado... "decisões horríveis"Sua defesa argumentou por uma sentença limitada ao tempo já cumprido em custódia desde agosto de 2024, destacando sua ficha criminal limpa e seus esforços de reabilitação. No entanto, o juiz determinou que ela continuou vendendo drogas por vários meses após a morte de Perry, o que pesou contra qualquer clemência.
A dor inabalável da família de Matthew Perry
A família de Matthew Perry também se pronunciou. Seu padrasto, o jornalista Keith Morrison, descreveu a dor diária e relembrou que o ator "Deveria ter tido muito mais sucesso em sua vida"Sangha é a única das cinco pessoas processadas que admitiu explicitamente, em seu acordo de confissão, a responsabilidade direta pela morte de Matthew Perry.
Outras condenações em um caso maior
O caso também envolveu vários outros indivíduos. O Dr. Salvador Plasencia já foi condenado a 30 meses de prisão por distribuir cetamina, enquanto o Dr. Mark Chavez recebeu uma sentença de três anos de liberdade condicional e oito meses de prisão domiciliar. Kenneth Iwamasa e Erik Fleming ainda aguardam sentença nos próximos meses.