Alexander Butterfield, ex-conselheiro da Casa Branca que ficou famoso por revelar a existência do sistema secreto de gravação de áudio do presidente americano Richard Nixon, faleceu aos 99 anos.
Sua morte foi confirmada por sua esposa, Kim Butterfield, ao Washington Post e ao New York Times. Segundo esses veículos de comunicação, ele faleceu em sua casa em La Jolla, perto de San Diego, cerca de um mês antes de completar 100 anos. A causa da morte não foi divulgada.
Alexander Butterfield entrou para a história política americana quando revelou, durante uma audiência no Congresso em 1973, a existência de um sistema secreto de gravação instalado no Salão Oval. Essas gravações forneceriam evidências cruciais na investigação do escândalo de Watergate, que levou à renúncia do presidente Richard Nixon em 1974.
As revelações de Butterfield desencadearam uma grande batalha judicial sobre a imunidade presidencial e o acesso às gravações de áudio da Casa Branca. As gravações acabaram se tornando a "prova irrefutável" do envolvimento de Nixon na tentativa de encobrir o escândalo.
Nascido em Pensacola, Flórida, e criado na Califórnia, Butterfield estudou na Universidade da Califórnia, Los Angeles (UCLA). Ele se alistou na Força Aérea dos EUA em 1948 e serviu como piloto de caça durante a Guerra do Vietnã, comandando um esquadrão de aeronaves de reconhecimento tático.
Próximo de H.R. Haldeman, chefe de gabinete de Nixon e seu antigo colega de faculdade, ele ingressou na Casa Branca como assessor presidencial entre 1969 e 1973. Após sua passagem pelo governo, chefiou, notavelmente, a Administração Federal de Aviação (FAA).
Apesar de seu papel fundamental na história política americana, Butterfield confidenciou mais tarde que não gostava de ser reduzido a "o homem que vazou as gravações", acreditando que essa imagem dava a impressão de que ele havia agido com entusiasmo, quando na verdade ele estava simplesmente respondendo a perguntas de investigadores do Congresso.